Gotas no andaime
- 17 de jun.
- 23 min de leitura

Meu nome é Miriam. Tenho 33 anos, sou nipo-brasileira, arquiteta, e carrego dentro de mim uma vida inteira de sentimentos guardados, reservados e reprimidos. Cresci ouvindo que emoção demais era fraqueza, que desejo era algo perigoso na família japonesa. Então aprendi a sorrir, a ser a esposa perfeita, a profissional competente. Sempre fui mais uma instituição que uma ser humana. Guardo tudo: as vontades, as fantasias, o fogo que às vezes queima tão forte que chega a doer.
Sou casada há dez anos com Jeferson. Ele tem 37, é um bom homem. Provedor, responsável, respeitado na mesma empresa que eu trabalho. Todo mundo diz que eu tenho sorte. E eu sei que tenho. Ele nunca me faltou com nada material em casa. Jantamos fora uma vez por semana, viajamos todos os meses e uma para o exterior todos os anos. Tenho um carro só meu e um cartão de crédito só para mim. Ele diz que meu salário é para mim. Realmente não tenho o que reclamar e muitas amigas minhas dizem que é o sonho de toda a mulher. Sei disso.
Mas por dentro, na minha alma, meu corpo, há muito tempo que falta desejo. Jeferson não quer filhos — diz que prefere nossa liberdade que ficar preso com filhos. Nem pet quer.
À noite, depois do jantar, ele se tranca no escritório para jogar online com amigos que são da casa dos 20 ou até menos. E fica lá horas e na madrugada.Uma vez, acho que ele não fechou direito a porta, porque ficou entreaberta. E como ele está de headphone, não percebeu. Então ele estava assistindo animações pornográficas chamadas de “hentai” e se masturbando. Um rolo de papel higiênico perto do teclado e mesmo ele sendo destro, o mouse estava do lado invertido para passar algumas cenas.
Não que ele não compareça no sexo, mas é sempre previsível: acaba de ver as redes socias, vira para mim e aperta os meus seios, a mão desce para o meu ventre e fica lá alguns minutos. Baixa a minha calcinha e ele pega a minha mão para eu fazer carícias no pau dele, depois ele mete em mim e vai bombando. Quando finalmente eu pego no embalo, ele goza. Me dá um beijo, se vira e dorme.
Então, eu me limpo, vou no chuveiro me lavar e volto para a cama e dormir. Eu me conformava porque aprendi a respeitar as diferenças e compreender as vontades das pessoas. Só que ninguém entendia o que eu queria e nem eu mesma podia admitir isso.
Então, há um ano, o Theo chegou na empresa.
Aos 29 anos, ele era diferente. Mais alto que Jeferson, por volta de 1,83m, corpo bem treinado, ombros largos e peito definido que a camisa social não conseguia esconder completamente. Seus traços asiáticos eram marcantes: maxilar anguloso, olhos expressivos e intensos, pele clara e cabelos pretos lisos presos num coque baixo que dava um ar moderno e perigoso. Os braços fortes apareciam nas mangas dobradas, e aquela postura confiante e descontraída fazia algo dentro de mim se remexer. Ele era charmoso demais para o meu próprio bem.
Na maioria dos dias, nossa interação era simples, quase rotineira. Como hoje.
Eu desci até a sala do café por volta das 10h30, precisando de um momento longe da prancheta e dos renders que não estavam saindo como eu queria. A sala estava tranquila, com o burburinho baixo de vozes e o cheiro de café fresco. Preparei minha xícara — sem açúcar, como sempre — e fiquei olhando pela janela por um instante, sentindo o peso habitual no peito.
Foi quando Theo entrou.
— Bom dia, Miriam — disse ele com aquele tom calmo e educado de sempre, pegando uma caneca no armário. — Chegou cedo hoje?
— Bom dia, Theo. Sim, quis adiantar umas coisas antes da reunião das 11h — respondi, forçando um sorriso pequeno e contido.
Ele serviu o café preto, sem pressa, e parou ao meu lado, encostando levemente no balcão. Nunca perto demais, mas não tão longe.
— Vi que você alterou o layout do pavimento térreo ontem à noite. Aquela solução com a circulação de ar ficou bem mais fluida. Parabéns, ficou elegante — comentou, tomando um gole e olhando para mim de lado. — Você sempre pensa nesses detalhes que ninguém mais vê.
Senti um calor sutil subir pelo pescoço. Era só um elogio profissional, mas vinha com aquela atenção genuína que me desconcerta. Jeferson raramente comentava meu trabalho com esse nível de observação.
— Obrigada — murmurei, mexendo o café sem necessidade. — Só ajustei o que não estava funcionando. Você também entregou o relatório de produção bem rápido essa semana.
Ele deu um meio sorriso, daqueles leves que chegam até os olhos.
— Tento acompanhar o ritmo de vocês. Aliás, mudou alguma coisa no seu cabelo? Está diferente hoje. Mais leve, acho.
Pisquei, surpresa. Eu havia cortado só as pontas no fim de semana e prendido o cabelo de um jeito um pouco diferente.
— Só aparada — respondi, tocando instintivamente a lateral do cabelo. — Você repara em tudo, hein?
Theo deu de ombros, ainda com o sorriso calmo.
— Quando a pessoa faz as coisas com cuidado, fica fácil notar. E o nosso trabalho é sempre notar em pequenos detalhes. Bom, vou voltar pra minha mesa antes que o Jeferson me chame pra alguma urgência. Tenha um bom dia, Miriam.
— Você também, Theo.
Ele saiu da sala com a caneca na mão, passos tranquilos. Fiquei mais um minuto ali, sozinha, sentindo o coração bater um pouco mais forte que o normal. Era só uma conversa boba de café.... mas uma pessoa tão distante reparando em tudo de mim e a pessoa com quem durmo, não repara em nada.
E isso, de algum jeito, doía mais que o silêncio de casa.
Algumas semanas se passaram e no final do ano, na festa de amigo secreto da empresa, a dor ainda estava fresca.
A discussão com Jeferson tinha sido na noite anterior. Eu finalmente criei coragem e falei que sentia falta de mais atenção, de mais desejo, de ser vista de verdade. Ele me olhou como se eu estivesse sendo ingrata. “Você tá reclamando de barriga cheia, Miriam. Tem tudo que uma mulher pode querer.” Depois disso, mal trocamos duas palavras. Ele foi jogar online e eu fiquei no quarto, engolindo o nó na garganta.
Na festa, o salão de eventos estava cheio de risadas, música alta e gente já bastante animada. Todo mundo bebendo, dançando, soltando a gravata. Eu estava com um vestido preto simples, mas elegante, daqueles que marcam discretamente a cintura e o quadril. Tinha prendido o cabelo num coque baixo, deixando algumas mechas caírem no rosto.
Estava encostada na lateral do bar quando Theo apareceu, pegando duas garrafas de cerveja gelada.
— Miriam! — disse ele com aquele sorriso largo e fácil, estendendo uma para mim. — Quer? Hoje tá liberado, todo mundo tá aproveitando hahahahaha
Eu quase nunca bebo. Mas depois da discussão com Jeferson e daquele vazio que não saía do peito, aceitei.
— Só uma — respondi, pegando a garrafa. — Obrigada.
Ele encostou ao meu lado, os ombros relaxados, o coque baixo um pouco mais solto por causa do calor da festa e abriu a long neck. A camisa social branca estava com os primeiros botões abertos e as mangas dobradas, mostrando os braços fortes.
Brindamos e começamos conversando sobre coisas leves: o projeto maluco que o time estava tocando, as piadas dos colegas, o DJ que estava tocando umas músicas antigas. Theo, como sempre, era piadista. E, com a cerveja e o embalo da festa, algumas passavam um pouco do ponto.
— Sério, Miriam… você de vestido assim devia ser proibido. Os arquitetos vão ficar distraídos o resto da noite — brincou ele, rindo, com aquele tom inocente que eu sabia que era só zoeira.
— Theo… — repreendi, arqueando a sobrancelha, mas não consegui segurar um sorriso pequeno. — Você sabe que não pode falar essas coisas.
— Mas foi só um elogio! — ele riu, levantando as mãos como se fosse inocente. — Eu só estou dizendo que você tá linda pra caramba. Até o Jeferson deve ter falado isso antes de sair de casa, né?
Eu baixei os olhos para a garrafa. Não respondi. Theo percebeu que tinha tocado num ponto sensível
— Mas não liga não Miriam. Muitos homens não reparam nas mulheres. Só enxergam peito e bunda.— Só que você repara em detalhes que mulheres gostam de ser notadas. Isso eu acho incrível. — Sim, como disse, precisamos reparar em literalmente tudo……e nos peitos e bundas também hahahahhahah
— Theo!!.... — e comecei a rir.
O tempo passou fácil. Eu ri mais do que deveria, a cerveja me deixando mais leve, o calor subindo no rosto. Conversamos sobre tudo e até de assuntos que não costumava compartilhar. Sobre vida pessoal, falei da minha e ele falou que não tem namorada e que tem bastante preguiça em relacionamentos.
“Eu também tenho uma certa preguiça, às vezes.”
Quando chegou a hora do amigo secreto, meu coração quase parou quando anunciaram que Theo tinha tirado meu nome.
Ele se aproximou com um pacote bem embalado, um sorriso diferente — mais suave, quase tímido.
— Para você, Miriam. Espero que goste.
Abri o presente ali mesmo. Era um kit incrível: um caderno de desenho Moleskine de capa dura com meu nome gravado, um conjunto de canetas técnicas japonesas de alta qualidade e um perfume delicado de cerejeira — o mesmo que eu usava às vezes e ele tinha reparado.
Fiquei sem palavras. Era perfeito. Atencioso. Caro demais para um amigo secreto comum.
— Theo… isso é demais — murmurei, sentindo os olhos marejaram um pouco. — Você não precisava…
— Eu quis — respondeu ele baixinho, só para eu ouvir, enquanto todo mundo ao redor fazia graça. — Você merece ser presenteada com coisas que te fazem feliz. E eu prestei atenção.
Nossos olhares se encontraram por um segundo mais longo que o necessário. Senti um calor descer pela barriga, misturado com culpa. Jeferson estava do outro lado do salão, conversando com os caras do time de produção, nem tinha visto o presente ainda.
Eu abracei Theo rapidamente — um abraço profissional, mas meu corpo traiu e demorou um instante a mais. Ele cheirava a madeira, cerveja e algo quente que me deixou tonta. E com certeza ele deve ter sentido os meus peitos sendo esmagados no peitoral dele.
— Obrigada — sussurrei contra o ombro dele — de coração. Amei.
Quando me afastei, ele só sorriu, aquele sorriso perigoso, e disse baixinho:
— De nada, Miriam. Qualquer coisa que precisar… é só me chamar…
Quando chegamos em casa, já passava da meia-noite. Só então Jeferson lembrou do amigo secreto.
— Ah, é verdade… como foi o seu, o que você ganhou? — perguntou ele, tirando os sapatos na entrada, ainda com o celular na mão.
Eu estava segurando o pacote com cuidado, como se fosse algo frágil. Mostrei para ele, abrindo a caixa para que visse o caderno gravado, as canetas japonesas e o perfume de cerejeira, toda animada.
— Foi o Theo que tirou meu nome. Olha que lindo… ele caprichou.
Jeferson mal olhou. Deu de ombros, com aquela expressão de quem acha tudo que eu acho um exagero.
— Nossa, isso é coisa de criança. Deve ter comprado em loja de 1,99. Gastou dinheiro à toa.
Fiquei parada no meio da sala, sentindo um aperto no peito que quase me sufocou. Não respondi. Simplesmente peguei o presente, virei as costas e fui para o banheiro. Tranquei a porta, sentei no chão com as costas na parede e chorei baixinho, abraçada à caixa. As lágrimas caíam quentes no papel de embrulho. Era só um presente… mas para mim, significava que alguém tinha me visto. Que me olhou como uma pessoa. Alguém que preparou um presente lindo pensando em mim. Monetariamente deve ter sido barato, mas a pessoa investiu energia para me agradar com uma pessoa de verdade.
No dia seguinte saí de casa sozinha. Jeferson ainda dormia. Parei na padaria, tomei um café preto puro, mas mal consegui engolir. Depois fui caminhando até o escritório, o ar fresco da manhã batendo no rosto inchado de choro.
No meio do caminho, ouvi uma buzina leve de bicicleta pedindo passagem. Eu abri espaço na calçada para ela passar, mas era o Theo.
— Bom dia, Miriam! — disse ele, sorrindo enquanto diminuía a velocidade.
Senti uma sensação boa, quente, se espalhando no peito só de ver ele. Desceu da bike e começou a andar ao meu lado, empurrando-a com uma das mãos. Conversamos coisas leves no começo, mas eu estava com uma cara péssima e ele percebeu.
Quando chegamos perto do prédio, eu disse:
— Pode ir subindo, eu te encontro lá em cima. Vou descer para guardar a bike.
— Eu vou com você… — respondi, sem pensar muito.
Descemos juntos a rampa de carga, do lado oposto dos carros. O lugar era silencioso, só o som dos nossos passos e das rodas da bicicleta ecoando.
Chegamos ao bicicletário, perto das motos.
Theo encostou a bike no suporte e me olhou com atenção.
— Miriam… você está bem? Parece que não dormiu direito.
Eu deveria ter dito que estava tudo ótimo. Deveria ter sorrido e mudar de assunto, como sempre fiz na vida, sem expor a minha intimidade. Mas algo dentro de mim quebrou. As palavras saíram quase sozinhas.
— Não estou… — murmurei, abaixando o olhar. — Eu carrego tanta coisa guardada, Theo. Cresci numa família japonesa onde expor o meu sentimento é fraqueza. Desejos então… nem se fala. Aprendi a reprimir tudo. Sou casada há dez anos e vivo como se fosse uma instituição, não uma mulher. Ninguém vê o que eu sinto de verdade.
Minha voz falhou. Dei um passo mais perto dele. Ele não recuou.
— Você… você repara em tudo. No meu cabelo, no meu perfume, no meu cansaço. Ninguém faz isso. E de quem eu espero mais, não vem. E você faz isso. Então eu… eu fico tão encantada com isso. Mais do que deveria.
Estava perto demais. Meu corpo tremia. Fiquei na ponta dos pés, segurei de leve na frente da camisa dele e o beijei.
Foi impulsivo. Desesperado. Meus lábios tocaram os dele com urgência contida. Theo tomou um susto — o corpo dele ficou tenso por um segundo. Mas logo depois ele fechou os olhos e correspondeu. A mão dele subiu segurou os meus ombros, me puxando com cuidado. O beijo, que começou tímido, ganhou um gosto mais profundo, mais quente. Senti o cheiro dele, o calor do corpo, a suavidade surpreendente dos lábios.
Meu coração batia tão forte que parecia querer sair do peito. Culpa, desejo, medo e alívio se misturavam dentro de mim como uma tempestade.
Quando nos separamos, estávamos ofegantes. Theo me olhou nos olhos, a voz rouca e baixa:
— Miriam… isso…
Eu não deixei ele terminar. Encostei a testa no peito dele por um segundo, respirando seu cheiro — uma mistura quente de sabonete, suor leve da bike e algo masculino que me deixava tonta.
— …me desculpe, Theo. Me desculpe, mesmo. Eu não deveria ter feito isso — sussurrei, a voz falhando.
Ele ficou em silêncio por um instante. Depois, senti a mão dele subir devagar pelas minhas costas, num carinho firme e reconfortante.
— Nós somos amigos e eu disse que pode contar comigo para tudo. Inclusive isso.
As palavras dele caíram como um bálsamo quente sobre a minha pele arrepiada. Levantei o rosto devagar. Seus olhos estavam escuros, intensos, mas ainda havia gentileza ali. Nenhum julgamento. Só desejo contido.
— Theo… eu sou casada — murmurei, quase sem voz. — Isso é errado. Eu não sou assim… eu nunca… e você trabalha para o meu marido. Vai dar um problema para você.
Ele não me interrompeu. Apenas deslizou o polegar pela minha bochecha, limpando uma lágrima que eu nem tinha percebido que havia escapado. O toque era leve, mas enviava choques direto para baixo da minha barriga.
— Eu sei — respondeu ele baixinho, a voz grave. — E eu respeito isso. Mas também vejo algo que você não percebe. Parece que um braço sai de dentro de você pedindo socorro. Um você preso e amarrado em protocolos, desesperada em se soltar. Parece atravessar uma parede de fogo para escapar. Então se precisar, eu te ajudo. Mesmo. Não precisamos nos envolver em relacionamento. Lembra? Sou um preguiçoso para essas coisas.
Meu corpo inteiro tremia. Eu sabia que deveria me afastar. Deveria subir e fingir que era a mesma Miriam de sempre. Mas em vez disso, minhas mãos subiram até o peito dele, sentindo o calor através da camisa. Fiquei na ponta dos pés novamente e o beijei mais uma vez.
Dessa vez não foi impulsivo. Foi mais lento. Mais consciente. Seus lábios eram macios e quentes, e quando sua língua tocou a minha com cuidado, soltei um suspiro trêmulo contra a boca dele. Theo me puxou pela cintura com mais firmeza, colando nossos corpos. Senti o volume dele crescendo contra minha barriga e uma onda de calor molhado me invadiu entre as pernas — algo que eu não sentia há muito tempo.
A mão dele desceu até o final das minhas costas, parando ali, respeitoso, mas possessivo. Eu mordi de leve o lábio inferior dele, um gesto que nem sabia que era capaz de fazer. O gemido baixo que escapou da garganta dele me deixou ainda mais molhada.
Quando nos separamos novamente, estávamos os dois respirando com dificuldade. Apoiei a testa no ombro dele, tentando recuperar o controle.
— Eu estou com tanto medo… Theo — confessei num fio de voz. — Medo de querer mais. Medo de não conseguir parar de querer.
Theo beijou o topo da minha cabeça, depois desceu os lábios até minha orelha, sussurrando:
— Então vamos fazer assim. Amanhã, tem a inspeção do prédio da Rebouças. E depois eu vou ser liberado. Depois podemos sair para algum lugar mais calmo.
Fiquei em silêncio por alguns segundos, o coração ainda estava disparado. A ideia de ter um tempo só nosso, longe dos olhares da empresa, longe de Jeferson… era aterrorizante. E irresistível.
— Amanhã… — repeti baixinho, como se estivesse testando a palavra na boca. Minha mão ainda estava apoiada no peito dele, sentindo as batidas fortes. — Confesso que estou com medo, Theo. Mas… tudo bem. Amanhã. Só… por favor, não me julgue depois.
Ele sorriu de leve, aquele sorriso charmoso que sempre me desarma, e deu um beijo suave na minha testa.
— Nunca vou te julgar. Agora melhor você subir primeiro. Eu espero uns minutos aqui embaixo. Ninguém precisa saber.
Assenti, ainda trêmula. Ajeitei a blusa, passei a mão no cabelo e subi a rampa com as pernas fracas. Cada passo era uma luta entre a culpa que queimava no peito e o desejo latejando entre as coxas. Quando entrei no elevador, encostei as costas na parede de metal frio e fechei os olhos.
O que eu estava fazendo?
Mas, pela primeira vez em anos, eu me sentia viva.

Então chegou o dia.
O prédio da Rebouças ainda estava em fase final de inspeção. Várias equipes se reuniram no térreo: engenheiros, pessoal de produção, segurança do trabalho e eu, única da arquitetura. Cheguei simples, como sempre prefiro em campo: camisa cinza clara de mangas compridas (bem ajustada no corpo), jeans justo que marcava discretamente minhas pernas e quadril, e tênis branco confortável. Prendi o cabelo num rabo de cavalo baixo, algumas mechas soltas no rosto por causa do vento.
Theo chegou pouco depois, de camisa social branca com as mangas dobradas até os antebraços, calça cáqui clara e tênis. O coque baixo estava perfeito, e o tecido da camisa marcava sutilmente os ombros largos e o peito definido. Jeferson veio logo atrás, de polo azul marinho, calça jeans e o habitual ar de quem está no comando.
Começamos a inspeção caminhando pelo térreo, verificando acabamentos, circulação, pontos de iluminação e detalhes que eu havia projetado. Eu tentava me concentrar nas anotações da prancheta, medindo, apontando falhas, explicando ajustes. Mas era difícil.
Theo jogava olhares.
Discretos. Rápidos. Mas carregados. Sempre que eu me abaixava para verificar uma tomada ou uma junta no piso, sentia seus olhos percorrendo minhas costas, minha cintura, a curva do meu quadril no jeans justo. Quando eu me levantava e olhava na direção dele, ele desviava o olhar com um meio sorriso quase imperceptível. Parecia que ele me bolinava a minha bunda com o seu olhar, o que me deixava o meu rosto queimar e lá embaixo também.
Jeferson estava concentrado no cronograma e nas conversas com os engenheiros. Não reparava em nada, para variar.
E quando ninguém — muito menos ele — estava olhando, meus olhos traíam tudo.
Eu olhava para Theo com uma ternura que não conseguia controlar. Um olhar mais longo, mais suave, quase carinhoso, pedindo ele. E ele percebia. Respondia com um olhar intenso, daqueles que parecem tocar a maçã do meu rosto.
Em um momento, enquanto Jeferson explicava algo sobre prazos para o grupo, Theo passou atrás de mim para pegar uma planta. Seu braço roçou de leve na minha cintura. Um toque inocente para quem via de fora. Para mim, foi eletricidade pura.
Senti o corpo reagir imediatamente: um calor subindo pela barriga, os bicos dos seios endurecendo contra o sutiã, e aquela umidade familiar começando a se formar entre as minhas pernas. Mordi o lábio discretamente e voltei a anotar, o coração acelerado.
Em outro momento, quando paramos para beber água, Theo se aproximou casualmente, fingindo olhar a mesma planta que eu.
— Você está linda até vestida simples assim — murmurou baixinho, só para eu ouvir. — Esse jeans… está tirando a minha atenção.
— Theo… pára…— sussurrei em tom de repreensão, mas meu olhar entregava o contrário. Havia desejo nele. E ele viu.
Ele sorriu de canto e se afastou antes que alguém notasse.
A inspeção durou quase três horas. Jeferson, como sempre, estava no modo profissional total. Nem uma vez olhou para mim com algo além de
“colega de trabalho”. Theo, por outro lado, me via. Toda eu e me imaginando nua.
Quando finalmente terminamos e as equipes começaram a se dispersar, Theo se aproximou enquanto guardávamos as coisas.
— Estou liberado agora — disse ele baixinho, fingindo arrumar a mochila. — Você vem?
Meu estômago deu um salto. Olhei de relance para Jeferson, que estava longe, conversando com o responsável pela obra.
— Vou… — respondi, a voz quase inaudível. — Só preciso avisar que vou resolver umas coisas no centro.
A culpa pesava como chumbo no peito. Mas o desejo… o desejo era mais forte. Tão forte que não sabia o quanto conseguia aguentar. Então chamei o Theo para ficar em um dos andaimes e disse:
— Eu não sei onde vai me levar, mas antes eu……eu……. — as palavras estavam embaralhadas e não saiam direito — queria te sentir a sua boca……de novo…..
Estávamos sozinhos no andaime do prédio que dava para ver quase toda a extensão da Av. Rebouças, num patamar alto e isolado, longe das equipes que já tinham descido. O sol da tarde batia enviesado, dourando tudo.
Theo me encostou contra a grade metálica fria. Meu corpo tremia inteiro. Sem dizer quase nada, ele segurou meu rosto com as duas mãos e me beijou com fome. Um beijo profundo, urgente, a língua dele invadindo minha boca com desejo contido que explodia agora. Eu correspondi com a mesma intensidade, gemendo baixinho contra os lábios dele. Dentro das nossas bocas pareciam geléia de morango bem quente, doce e pegajoso.
Suas mãos desceram pelo meu corpo. Com um movimento rápido e preciso, ele puxou minha camisa cinza para cima junto com o sutiã, expondo meus seios completamente. O ar fresco bateu na pele sensível e meus mamilos endureceram imediatamente, rosados e arrepiados. Theo afastou o rosto só o suficiente para olhar, os olhos escuros brilhando de desejo.
— Nossa, Miriam… você é tão linda ... .perfeita. Que corpo incrível! — murmurou rouco.
— Pega neles….Theo ... .ninguém fora o Jeferson, tocou neles…
Uma de suas mãos grandes e quentes envolveu meu seio esquerdo, apertando com firmeza, o polegar roçando o bico inchado em círculos lentos. A outra mão desceu pela minha barriga até o cós do jeans, abrindo o botão com habilidade. Eu arqueei as costas, empinando o peito contra a palma dele, sentindo o calor da sua pele contra a minha.“Minha nossa, o que estou fazendo…?” Parecia que ia desmaiar
Meu jeans estava abaixado até o meio das coxas, a calcinha preta fina já visivelmente molhada. Theo pressionou o corpo contra o meu, a ereção dura marcando contra minha barriga por baixo da calça cáqui. Ele beliscou de leve meu mamilo direito enquanto voltava a me beijar, engolindo meus gemidos.
Eu estava exposta, vulnerável, no alto de um andaime com a cidade inteira lá embaixo. Qualquer um que olhasse de um prédio próximo poderia nos ver. A vergonha queimava meu rosto, mas o tesão era muito maior. Minhas mãos tremiam enquanto eu abria os botões da camisa social dele, espalmando as palmas no peito definido, sentindo os músculos tensos e a pele quente.

Theo desceu a boca pelo meu pescoço, mordendo de leve, depois foi descendo até capturar um mamilo entre os lábios. Chupou com força, a língua girando enquanto a mão livre deslizava para dentro da minha calcinha, os dedos encontrando minha boceta encharcada e inchada. Quando ele tocou meu clitóris, soltei um gemido mais alto, cravando as unhas nas costas dele por baixo da camisa aberta.
— Theo… aqui não… alguém pode… — tentei protestar, mas minha voz saiu fraca, quase um pedido para ele continuar.
— Miriam, sua boca diz uma coisa e seu corpo pede outra. E você está deliciosamente cremosa….ha……olha os meus dedos
Me fez olhar os dedos grossos dele esticando o meu mel quase formando uma membrana entre eles.
Ele não parou. Os dedos dele me acariciavam com precisão, deslizando na minha umidade, enquanto a boca sugava meu seio com vontade. Meu corpo inteiro pulsava. Eu me sentia finalmente viva, desejada, vista. A esposa perfeita, a nipo-brasileira contida, estava ali de calça abaixada, calcinha abaixada, meu sexo exposto num lugar público, seminua, se entregando no alto de um andaime para o subordinado do marido.
A culpa me consumia.
O prazer me destruía.
E eu não queria que parasse.
Eu não aguentava mais.
O desejo havia tomado conta de tudo. Meu corpo inteiro latejava, a boceta encharcada e os seios sensíveis latejando contra o ar. Ainda encostada na grade fria do andaime, olhei para baixo e vi o volume marcado na calça cáqui do Theo. Sem pensar, sem conseguir me conter, murmurei com a voz trêmula:
— Theo… me deixa colocar você na boca. — “Nossa, o que eu acabei de pedir??”
Ele arregalou os olhos por um segundo, surpreso com a minha ousadia, mas não hesitou. Abriu o botão e o zíper rapidamente. O pau dele saltou para fora — grosso, quente, a cabeça rosada brilhando de excitação. Eu me ajoelhei devagar no chão metálico do patamar, ignorando o desconforto.
Segurei a base com a mão trêmula e aproximei o rosto. Fechei os olhos, como se estivesse saboreando algo proibido e delicioso. Comecei bem devagar… lambendo primeiro a cabeça, girando a língua em círculos lentos, degustando o gosto salgado e quente dele. Depois desci a língua pela extensão toda, molhando, venerando. Chupei como se fosse um picolé caro demais, com calma obscena, sugando devagar, os lábios bem apertados, subindo e descendo enquanto minha mão acompanhava o movimento.
Eu nunca tinha feito nada assim. Nem em sonho imaginei fazer isso. A Miriam contida e recatada, estava de joelhos no alto de um andaime, chupando o pau do subordinado do marido com uma fome que me assustava. Se meus pais me vissem agora… morreriam de vergonha. Essa imagem passou pela minha cabeça e, em vez de me parar, só me deixou ainda mais molhada. Um gemido baixo vibrou na minha garganta enquanto eu o tomava mais fundo, os olhos ainda fechados, completamente entregue.
Theo soltou um gemido rouco,
— Miriam… você é incrível — sussurrou, a voz falhando.
Depois de alguns minutos, ele me levantou com facilidade, me virando de frente para ele. Meu jeans e calcinha ainda estavam abaixados nas coxas. Ele me olhou nos olhos, o pau latejando entre nós.
— Quer que eu entre em você, Miriam? — perguntou, a voz grave e carregada de desejo.
Eu congelei. O medo veio forte, como uma onda gelada junto com uma rajada de vento.
— Não… não podemos… — sussurrei, tremendo. Mas meu corpo traía. Minha boceta pulsava, molhada escorrendo pela coxa. O desejo era maior que o medo.
Antes que eu pudesse mudar de ideia, segurei o rosto dele com as duas mãos e implorei:
— Entra… por favor, Theo. Entra em mim agora, antes que eu mude de ideia. Vem…
Ele não esperou mais. Com fome, me ergueu um pouco, encaixando a cabeça grossa na minha entrada encharcada. Num movimento firme e profundo, ele me possuiu.
— ….vem…..isso….. — pausa bem lenta — …ahhhhhhhh….
Senti ele me abrindo, me preenchendo completamente. Um gemido alto escapou da minha boca quando ele afundou até o fundo. Era grosso, quente, diferente de tudo que eu conhecia. Theo começou a estocar com vontade, segurando minha bunda com as duas mãos, me levantando e descendo no pau dele enquanto eu me apoiava na grade.
Cada estocada era profunda, ritmada, faminta. Meus seios pulavam livres, roçando no peito dele. Eu mordia o ombro dele para abafar os gemidos, as unhas cravadas nas costas dele por baixo da camisa aberta. O vento batia no nosso corpo, a cidade lá embaixo como testemunha silenciosa da minha queda.
— Theo… ahh… ai ... .nossa…..ha…..ha…..ha……ha….— choraminguei, completamente entregue.
Cada estocada do Theo era mais profunda, mais forte. Ele me segurava firme pela bunda, me levantando e me descendo no pau dele com um ritmo que me fazia perder o ar. Eu estava completamente aberta, molhada demais, o som molhado dos nossos corpos ecoando baixo no andaime. Meus seios roçavam no peito dele a cada movimento, os mamilos sensíveis e inchados.
O prazer subia rápido, incontrolável. Algo que eu não sentia há anos — talvez nunca tivesse sentido de verdade. Meu ventre se contraía, as coxas tremiam ao redor dele.
— Theo… eu vou… eu vou… .— consegui gemer contra o pescoço dele, a voz embargada.
Ele acelerou, acertando um ponto fundo dentro de mim que me fez ver estrelas. Meu corpo inteiro tencionou de repente. O orgasmo me invadiu como uma onda violenta e quente.
— …eu vou… ahhhhhhhh……AH!.....tô gozando…..ai…..devagar…..ai como é bom isso…
Gozei com força, gemendo alto contra o ombro dele, as paredes internas pulsando e apertando o pau grosso do Theo sem parar. Minhas unhas cravaram nas costas dele, o corpo convulsionando enquanto o prazer me atravessava em ondas longas e intensas. Senti um jorro quente escorrendo pelas minhas coxas, molhando ainda mais onde nossos corpos se encontravam.
Theo gemeu rouco, quase um rosnado, e me apertou contra si com mais força. Poucos segundos depois, ele também gozou.
Saiu de dentro de mim no último instante. Segurou o pau latejante com a mão e ejaculou com força. Jatos grossos e pesados de sêmen branco-cremoso saíram dele, caindo no piso metálico do andaime com sons leves e obscenos. Gotas densas, viscosas, como creme quente, espalhando-se no metal cinza frio. Algumas gotas maiores escorreram devagar pela borda do patamar, enquanto outras ficavam ali, brilhando sob a luz da tarde.
Eu olhava hipnotizada, ainda ofegante, com as pernas fracas. Ver o sêmen dele ali, no chão, era a prova concreta da minha traição. Ao invés de me sentir nausea de culpa, acredite. Estava imaginando como seria sentir aquele requeijão enchendo a minha boca. Deve ser delicioso e bem proibido.
Theo encostou a testa na minha, respirando pesado, as mãos ainda segurando minha cintura com carinho.
— Miriam… você não existe. Você é uma delícia ... .nossa — murmurou, a voz rouca de prazer.— Não fala assim que fico com vergonha — sorri
Meu corpo ainda tremia de prazer. Pela primeira vez em muito tempo, eu me sentia viva, desejada, saciada.
Ajeitei a roupa com as mãos trêmulas, o rosto queimando de vergonha e excitação. Theo me ajudou em silêncio, limpando gentilmente o que escorria pela minha perna com um lenço que tinha no bolso.
— Espere. Deixa eu te limpar. Fica assim….
Ele se agachou e passou o dedão na minha vulva e os pequenos lábios recolhendo o meu mel que estava formando uma gota. Daí ele levou o dedo à boca e chupou fechando os olhos. Era uma cena tão romântica, obscena, suja pois nem banho eu tinha tomado. Não faço ideia do cheiro que estava embaixo de mim. Que vergonha!
Ele puxou a manga da própria camisa e me secou.
— Não. Vai sujar a sua camisa.
Ele sorriu e disse olhando para mim.
— Assim eu fico com o seu perfume de verdade, Miriam.
Como ele é maravilhoso!
Enquanto descíamos o andaime, degrau por degrau, eu olhava para trás uma última vez. As gotas brancas ainda brilhavam no piso metálico, grossas e viscosas, algumas já começando a escorrer lentamente pela borda. Eram a marca concreta do que eu havia feito. Do que nós havíamos feito.
Theo percebeu meu olhar.
— O que foi? Esqueceu alguma coisa?
Parei por um segundo, segurando na grade fria. Minha voz saiu baixa, quase um sussurro envergonhado:
— Aquelas gotas que saíram de você…
Ele parou também, virando-se para mim. Um sorriso leve e cúmplice apareceu em seus lábios, mas seus olhos continuavam intensos.
— É… bastante, né? — murmurou ele, descendo um degrau para ficar mais perto de mim. — Você me deixou louco lá em cima. Nunca imaginei que você fosse tão… intensa.
Senti o rosto arder ainda mais. Baixei os olhos, mordendo o lábio. Parte de mim queria desaparecer de tanta vergonha. A outra parte — aquela que eu sempre reprimi — sentia um novo calor só de lembrar do gosto dele na minha boca, da sensação dele me preenchendo, e agora daquelas gotas brancas brilhando como prova da minha traição.
— Eu nunca fiz nada assim… — confessei baixinho, enquanto voltávamos a descer. — Nem consigo acreditar que fui eu ali. De joelhos… pedindo… gozando daquele jeito. Se alguém visse aquelas gotas… saberia exatamente o que aconteceu.
Theo parou novamente, segurou minha mão por um instante e apertou de leve.
— Ninguém vai ver. E mesmo se vissem… só eu e você sabemos o quanto você precisava disso. O quanto você merece sentir prazer de verdade, Miriam. Sem pressa. Sem rotina. Sem ter que fingir.
Chegamos ao térreo em silêncio. Meu corpo ainda sentia os ecos do orgasmo — as pernas fracas, a intimidade sensível e latejante, um leve fio úmido ainda escorrendo. Jeferson e o resto da equipe já tinham ido embora. Só restavam alguns trabalhadores mais distantes.
Theo me olhou momentos antes de entrar no carro dele:
— Você está bem? — perguntou, agora com aquela gentileza de sempre.
Eu assenti, mesmo que por dentro tudo estivesse um caos.
— Estou… diferente. Viva. E com muito medo ao mesmo tempo.
Ele sorriu suavemente.
— Sabe o que podemos combinar? Posso ser o seu P.A. (pau amigo). Sem relacionamento, sem cobrança, sem precisar ligar ou dar satisfação. A gente transa e depois a vida segue.
— Não sei. Independente de como cresci e da rigidez da minha educação e formação, trair alguém está errado em qualquer lado. Acho… acho que preciso pensar. Não posso dizer sim agora, mas não quer dizer não.
— Não tem problema. Vamos bem devagar e quando quiser parar, não se preocupe comigo. Vou entender.
— Obrigada, Theo, por sempre me compreender. Quero que entenda que é a primeira vez na minha vida que estou traindo alguém.
— Sim, eu te entendo. Mas não precisa pensar que está sozinha. Eu também estou traindo o meu chefe.
Meu celular vibrou. O Uber havia chegado.
— Chegou o meu Uber. Obrigado por hoje… — fiquei vermelha como um tomate — a gente se vê amanhã?
— Sim, Miriam. Descanse bem e se cuide… como eu te cuidaria…
Fui até o SUV preto. Antes de contornar e sumir na sombra do carro, dei uma última olhada para trás. Theo estava apoiado no capô do seu Kia branco, acenando devagar com aquele sorriso suave que sempre me desestabilizava.
O carro começou a sair, mas eu fiquei…
Theo franziu a testa, depois arregalou os olhos ao perceber que eu continuava em pé. Ele veio correndo até mim.
— O que houve? Por que não entrou no carro?
Eu não respondi com palavras. Apenas o abracei com força, enterrando o rosto no peito dele, sentindo aquele cheiro que agora já era perigoso para mim. Fiquei na ponta dos pés e sussurrei bem no ouvido dele, a voz tremendo de vergonha, desejo e rendição:
— …me come, Theo ... .de tudo que é jeito ... .do jeito que nunca senti…….Me leva pro motel ... .agora…




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