O Voto - Feliz 2024

Meu nome é Milena, tenho 28 anos e nasci no interior de Goiás. Cresci longe do barulho das grandes avenidas, entre terra vermelha, céu aberto e aquela certeza de que o mundo era maior do que o que eu via da janela. Foi essa inquietação que me trouxe para São Paulo. Vim fazer faculdade de Comunicação e, de uma hora para outra, a cidade virou casa, desafio e destino.
Foi aqui que conheci o Vinicius. Ele tem 31 anos, um jeito calmo que contrastava com a pressa de tudo ao redor e um olhar que, desde o começo, parecia já ter me reconhecido. Depois de três anos dividindo um apartamento na Consolação — café da manhã às pressas, contas no fim do mês, noites de conversa até tarde e a vida se encaixando no mesmo espaço —, decidimos que a virada de 2023 pedia outra paisagem. No Rio de Janeiro.
Subimos até o rooftop do Hotel Porto Bay. A praia de Copacabana se espalhava por luzes abaixo de nós, prédios e vários morros pulsando ao longe, o ar fresco e úmido do que o do interior trazendo promessas. Eu, que saí do interior com uma mala e um curso, estava naquela cobertura com o homem que tinha virado meu presente.
E, pela primeira vez em muito tempo, não precisei pensar no que vinha depois. Naquele instante: a cidade embaixo, o Vinicius ao lado e 2024 começando exatamente onde a gente escolheu estar.
Sou uma pessoa pacata e daquelas que não consegue resolver conflito com a cabeça quente. Se os ânimos sobem, se a voz sobe, se alguém exige resposta na hora, eu travo. Quando estou numa situação dessas, prefiro que alguém da minha confiança diga o que fazer e eu aceito. Aceito porque confio. Aceito porque o susto me deixa pequena.
Na roça eu já era assim. Tímida, irmã caçula, única filha no meio de três irmãos que viviam mandando o que fazer. Meus irmãos e meu pai tinham ciúme demais. Namorado na cidade? Nem pensar. Ninguém chegava perto. Eu saía pouco, falava baixo, aprendia a ocupar o canto da mesa. Nunca tinha visto um órgão masculino de verdade, só o que dava para enxergar pela fresta do banheiro quando um dos meninos esquecia de encostar a porta. Era isso. Um pedaço de mundo que eu não entendia e que, de algum jeito, já vinha com vergonha colada.
A minha primeira vez foi com o Vinicius. Ele é bem mais experiente. E trata tão bem. Me deixa à vontade de um jeito que eu não sabia que existia. Atende os meus desejos, que muitas vezes são só curiosidades. Eu não vejo maldade. Por isso ele me protege. Sempre devagar. Nada tão ousado. Ele já tentou transar comigo por trás. Eu tive medo da dor. Ele nunca forçou. Parou. Esperou. Fez de outro jeito.
Ainda assim, já fizemos sexo em lugares que me deram um medinho: no elevador, na garagem do nosso prédio. O coração disparava, o corpo pedia e ao mesmo tempo pedia para parar. Ele via. Sempre via.
Quando ele me mostra alguns vídeos, a curiosidade aparece. Claro que aparece. Mas para realizar mesmo, de verdade, eu preciso de espaço para pensar.
Naquela virada de 2023, no rooftop do Porto Bay, eu não precisei resolver nada no susto. Ele é super metódico e minimalista. Planejou essa vinda com meses de antecedência, pesquisou tudo do hotel, reservou exatamente a suíte que ele queria, na ponta do hotel, com a sacada de frente para a praia, escolheu as nossas roupas para a virada do ano.
Ele escolheu um vestido curto, justo no busto e soltinho na saia, com alças finas que deixavam os ombros à mostra. O decote em V descia o suficiente para eu sentir o ar carioca na pele — o tipo de peça que eu nunca teria escolhido sozinha no interior, mas que o Vinicius elogiou antes de sairmos e que, na hora, me fez parecer outra pessoa. Mais leve. Mais da cidade.
Os saltos eram dourados, finos, de tiras. Eu quase tropecei duas vezes no caminho até o elevador, mas ele sempre me segurou em seus braços. Meu cabelo solto, ondulado, caindo sobre o peito. Nada de brinco grande, nada de colar.
Só o vestido branco, o salto e aquele medo bom de estar ali, no meio de tanta gente bonita, bem arrumada, elegante, bem diferente de mim, que vive de camiseta e moletom trabalhando em home office.Nos sentamos numa mesa bem perto da cerca de vidro. Lá embaixo a cidade era um formigueiro, gente minúscula à espera dos fogos. O vento subia um pouco mais fresco. Encostei o corpo na borda e fiquei olhando o movimento, sem saber se deveria sorrir ou só respirar fundo.
O Vinicius percebeu. Cabelo escuro penteado para trás, barba fechada desenhando o maxilar, a camisa branca aberta nos dois primeiros botões, o relógio no pulso esquerdo quando ele puxou a cadeira para perto da minha. O joelho dele, firme debaixo da bermuda branca, encostou no meu. Ele faz uma pergunta com o olhar escuro, no jeito de se inclinar com aquele sorriso que já me conhecia: se eu estava curtindo ou meio assustada com toda aquela movimentação.
Eu não precisei responder alto. Com ele eu sempre me senti segura. Qualquer lugar seria maravilhoso.Ele disse que eu era linda e gostosa. Respondi que foi graças a ele ter escolhido a roupa. Ele fechou os olhos e negou com a cabeça. Que ele apenas pensou na minha “embalagem”, mas que o recheio era o mais importante, o mais lindo e que não só encantava o meu marido, mas as pessoas em volta, principalmente os rapazes.
Eu fiquei toda envergonhada quando a mão direita veio devagar, primeiro no meu ombro nu, depois na nuca, os dedos entrando no cabelo como quem pede licença. Fechei os olhos um segundo antes da boca dele chegar. A barba roçou de leve o meu queixo.
O beijo foi quente. Lábios firmes, língua pedindo passagem sem pressa, o gosto do espumante misturado com o cheiro da camisa branca e um pouco do perfume dele. Não era um beijo de pressa. Era o tipo de beijo que segura. O corpo alongado se inclinou sobre o meu, a outra mão desceu pelas minhas costas, parou na cintura, me puxou um pouco mais para o lado da cadeira, como se quisesse que eu soubesse que estava ali. Que ninguém ia me assustar. Que eu podia ficar.
Soltei o ar na boca dele. O corpo, que sempre pede espaço quando o mundo aperta, dessa vez não pediu para sair. Pediu para ficar. O beijo aprofundou um pouco, quente o suficiente para eu esquecer o formigueiro embaixo e o barulho das outras mesas. Protetor o suficiente para eu não precisar decidir nada no susto.
Quando ele se afastou só um pouco, a testa encostada na minha, a barba ainda próxima, a mão na nuca, abri os olhos e vi de novo o sorriso calmo, o cabelo escuro, o homem que me escolheu no meio da festa. Os fogos ainda não tinham começado. Mas, para mim, a virada já tinha acontecido naquele segundo em que o Vinicius me beijou e, sem dizer nada, me deu o meu território.
Ele se encostou na cadeira, tomou um gole de espumante e disse que o Renato estava a caminho do nosso encontro. Jornalista daqui do Rio, padrinho do nosso casamento, melhor amigo do meu marido. Quase um irmão. Tínhamos estudado na mesma sala na faculdade, no mesmo grupo de trabalho. Sempre juntos, o trio maravilha.
Confesso só para vocês: antes de me relacionar com o Vinicius, o Renato me beijou no ponto de ônibus do prédio de Comunicações. E ele beija bem, por sinal.
A virgenzinha aqui não via maldade na hora. Era o fim de uma aula, o ponto cheio, o ônibus atrasado, a mão dele no meu braço um segundo a mais do que devia. O beijo veio rápido, quente, diferente do que eu conhecia — e eu quase não conhecia nada. Depois rimos, fingimos que o vento tinha sido o culpado, e a vida seguiu.
Mas acho que o Vinicius também já estava a fim de mim. Só que veio pelo caminho mais tradicional, não pelo beijo roubado. Eu conheço bem os dois. O Renato sempre foi o sem freio. O Vinicius, o mais centrado. Nos trabalhos da faculdade ele era o nerd: pesquisava, relatava tudo, fazia ata, montava planilha. O Renato era o orador, o apresentador, o ousado. Eu ficava no meio, fazendo o que eles pediam.
Escolhi o Vinicius. Sempre respeitou o espaço que eu preciso. Nunca disse isso em voz alta, mas ele percebe as coisas. Diferente do outro, que vem atropelando. Ao mesmo tempo, eu sei que às vezes a gente precisa não pensar tanto e ousar um pouco. Só que, para ousar, eu ainda preciso de mais alguma coisa.
Agora o Renato vinha subindo para o rooftop. Eu segurei a taça com as duas mãos. O vestido branco de repente pareceu mais curto. Agora pensando aqui, nunca perguntei ao Vini se soube que um dia o Renato havia me beijado. Se bem que, cadê a coragem para perguntar isso? Nem sei se ele desconfiou disso.
Talvez até tenha desconfiado, mas como sempre me dando espaço.O Renato surgiu no meio da festa como quem nunca tinha saído dela. Camisa branca aberta quase até o meio do peito, o corpo mais largo, os ombros de academia, o cabelo curto escuro, o sorriso largo sem barba para esconder nada. Tênis branco, taça já na mão, o passo solto demais para o rooftop.
Foi primeiro no Vinicius. O abraço veio com força, agressivo, os braços fechando no tronco do meu marido a ponto de carregá-lo a uns centímetros do chão. Palmas pesadas nas costas, um puxão de quem é quase irmão e não viu o outro há um ano.
Só depois o Renato se virou para mim. Aí o movimento mudou. Mais lento. Os braços abriram com outra calma, me puxaram com outro peso. O abraço apertou de verdade: o peito largo contra o meu vestido curto, o queixo raspando de leve no cabelo, a mão grande parada no meio das minhas costas como se quisesse medir o tempo. Um ano sem se ver pessoalmente e ele me segurou assim, sem pressa e sem soltar cedo.
Então ele se afastou de mim, ainda de mãos dadas, me analisando de frente. Disse que eu estava linda. Cada vez que me via eu estava mais elegante e mais bonita. Em seguida se zoou, passando a mão no cabelo curto, reclamando que estava perdendo os fios. Tudo nele virava risada.
O Vinicius ainda dava gargalhadas. Falou que ia pegar uma garrafa de espumante no bar com o padrinho. Os dois saíram abraçados rumo ao balcão, o corpo largo do Renato puxando o passo mais contido do meu marido, as camisas brancas sumindo no meio da festa.
Fiquei na mesa, a taça pousada, o vestido curto contra a cadeira, e dei uma atualizada no celular. Só para ter o que fazer com as mãos. Só para não ficar olhando o formigueiro embaixo e o lugar de onde eles tinham saído.
E não é que algumas pessoas estavam reparando em mim? Olhares rápidos, uma mulher rindo baixo para a amiga, um homem que demorou um segundo a mais no meu decote. Uma sensação que assusta. Mas gostosa.Eles voltaram. O Vini rindo, o passo solto, a garrafa na mão. O Renato sorria também, mas tinha alguma coisa séria nele. O sorriso estava um pouco forçado.
Quando chegaram na mesa, já estava na contagem. Dez, nove, oito. Todo mundo de pé, taças erguidas, o rooftop inteiro virado para o céu. Os fogos começaram a estourar. Primeiro um, depois o céu inteiro se abrindo em branco e dourado sobre a cidade.
Nos abraçamos. Conhecidos, desconhecidos, todos se encostando. O Vini me puxou pela cintura e encostou o corpo atrás do meu. Puxou meu cabelo, expondo a orelha, deu um beijo ali e disse o quanto me ama. Que ama tanto que faria qualquer coisa para me fazer feliz. Que até morreria ou se afastaria, se fosse preciso.
Gelei por um instante e olhei para trás. Havia uma pequena lágrima no canto do olho dele, a barba úmida, o sorriso calmo rachado. Olhei bem no fundo daqueles olhos escuros e disse que a melhor coisa que tinha acontecido na minha vida era ter conhecido o Vini. Meu primeiro namorado. O primeiro a entrar em mim. O primeiro a me completar e a me mostrar as coisas boas da vida. Que eu nunca largaria ele. Que iria até o inferno, se fosse preciso.
Eu o beijei. Sem me preocupar com decoro, sem me importar se as pessoas estavam olhando. Nossas línguas ficaram do lado de fora, se entrelaçando, se sugando com muita intensidade. O gosto do espumante, o estouro dos fogos, o corpo dele colado na minha barriga.
Então o Renato falou, a cara bem perto da nossa, a voz baixa e ao mesmo tempo clara no meio da festa: que era gostoso olhar aquela cena. Que nós nos merecíamos. Que fazia voto de felicidade em nos ver sempre juntos. O corpo largo fechou nós dois. Os braços pesados nos envolveram e jurou que sempre estaríamos juntos.
Eu fiquei ali, o vestido amassado entre os dois, a boca ainda molhada do beijo, o coração disparado. Sendo amada, vista e a importância e peso daquele voto.
Duas garrafas de espumantes e uma de vinho depois, os dois estavam cada um com um copo de whisky. Eu? Não sei mais onde eu estava. Claro que jamais acompanhei o ritmo dos dois, mas o que eu tomei de drinks coloridos, foi bem mais que eu tomei em toda a minha vida.
Estava bem difícil conectar um assunto até o fim, sempre interrompido por piadas e risadas. Eu estava adorando tudo isso, muito mais solta que o normal, leve, a brisa da madrugada carioca balançando os meus cabelos, pernas cruzadas mostrando toda a minha coxa, braços levantados e cruzados atrás da minha cabeça, e eu de olhos fechados me espreguiçando.O Renato olhou a cena inteira. Sorriu. Olhou para o Vini. Disse que o meu marido era um canalha de sorte em me ter.
Quis continuar o assunto. Engasgou. Caiu na gargalhada. O Vini riu também, sem entender, e perguntou o que tinha havido.
Acabou revelando que era muito a fim de mim na faculdade.
Quase caí da cadeira. O corpo petrificou. Fiquei pequena mas o Vini olhou para mim e me acalmou com um sorriso. Disse que sabia de tudo. Que tinha rolado um beijo no ponto de ônibus. Que ele estava chegando perto, viu, e se afastou para não nos atrapalhar.
A brisa continuou no meu cabelo. As pernas continuaram cruzadas. Mas o espreguiçar acabou. Eu fiquei ali, entre o whisky deles e os drinks coloridos que eu não sabia mais contar, com a boca do Renato confessando o que eu nunca tive coragem de perguntar — e com o meu marido, metódico, já tendo visto a cena anos antes e escolhido não entrar nela.
Vini continua e diz que também tinha sentimentos por mim, mas que sempre foi o mais devagar. Pelo menos mais devagar que o “irmão”. Agora não sei se o Renato falou sério ou era piada inventada na hora, dizendo que me beijou para acelerar o Vinicius a tomar uma decisão logo. Que já era nítido os olhares entre a gente durante os trabalhos na sala. Disse que, uma vez no intervalo das aulas, o
Renato perguntou se o Vini estava a fim de mim e ele com vergonha, acabou dizendo que não. Aborrecido com a resposta disse que se ele ficasse bobeando, alguém da outra sala ia me pegar ou até mesmo ele, pois gostava de mim e sempre me achou atraente.
Eu ouvi os dois reescrevendo a faculdade na minha frente, a taça na mão, Copacabana embaixo, e o corpo ainda pequeno na cadeira. A menina do grupo de trabalho, a que fazia o que eles pediam, descobria agora que tinha sido disputada — lenta de um lado, sem freio do outro — e que o beijo no ponto nunca tinha sido só vento.
Não sei se é por causa de tanta bebida que tomei, que confesso que estava adorando sendo disputado por dois homens que gosto muito. Me acalmei um pouco e estendi a mão no meu drink para outro gole e fiquei olhando para o peitoral do Renato. Ele logo percebe, abre um sorriso e disse que eu estava com um olhar perigoso.
Comecei a gargalhar. Já que todo mundo estava confessando, eu também disse. Que tinha sim uma curiosidade sobre o que havia debaixo da roupa dele. Ora, ele é bonito. É natural que qualquer mulher tenha uma vontadezinha de ver o que se tem lá dentro.
Então ele tirou a camisa.
Olha: ele é lindo. Sem a camisa, o Renato parecia maior. Mais próximo. A brisa da madrugada bateu nele e em mim ao mesmo tempo, e eu ri de novo — daquelas risadas que a gente usa para não ter que decidir o que fazer com as mãos.
Passe a mão no peito dele, disse o Vini.
Fiquei chocada. Sempre confio nele. Em situações assim, eu sempre aceitei a sugestão. Mas aquilo já era demais. Sorri e me levantei, sugerindo que a gente fosse para a suíte.
O Renato fez cara de dúvida — proposital ou não — e perguntou:
— Nós três?
Dei risada. Fui até ele e o abracei daquele jeito, o peito todo desnudo contra o meu vestido, para me despedir. Um segundo a mais do que devia. O Vini também se levantou e o abraçou com carinho, a barba no ombro do amigo, quase irmão outra vez.
No hall nos despedimos mais uma vez. Ele pegou o elevador de visitante. Nós, o de hóspedes.Entrei primeiro e vi os olhares entre o Vini e o Renato. Ele com um sorriso de canto. Estranho.
Lá dentro, o Vini me abraçou por trás. Veio com as duas mãos nos meus seios e massageou com carinho. Depois de três apertos, abaixou as duas alcinhas finas, soltou os meus peitos e apertou os mamilos. Fechei os olhos, abri a boca e murmurei que estava delicioso.
Confesso que fiquei com medinho da câmera, mas eu estava molhada demais para me preocupar com isso, passei a mão para trás e senti o volume de um pão rígido dele. Acho que eu estava aprendendo a ficar mais desinibida — e adorando essa mudança.
Nossa, que delícia sentir o meu marido assim, me desejando, querendo me possuir ali mesmo. Eu até liberaria, mas sabia que o andar era bem perto. Preferi chegar ao quarto e me entregar por completo.
Mas quem disse que ele aguentou.
Mal saímos do elevador, ele tirou o pau para fora, puxou a calcinha de lado e me comeu em pé, eu tentando caminhar. Ainda bem que o carpete abafava os gemidos contidos. Mas e o medo de alguém aparecer no corredor, meu Deus!
Ele com o pinto dentro de mim e eu com os peitos para fora.
Eu tentava convencê-lo a chegar no quarto. Nunca demorei tanto para abrir aquela porta. Ele estocava com tanta força que os meus seios batiam na madeira a cada embalo.
Finalmente abriu o nosso ninho e caminhei acelerada pelo quarto, tirando o salto e ao mesmo tempo tirando o vestido pela cabeça. Tirei a calcinha e me sentei na cama de perna aberta.
Vini olhando tudo isso, se postou bem na minha frente e abriu a camisa. Depois baixou o short junto com a cueca libertando o “meu” membro. E estava toda animada e excitada para sentir ele em 2024.
Então ele se ajoelhou na minha frente e ficou entre as minhas abertas, toda despida dizendo que quer experimentar algo e que era para confiar nele. Bom entre quatro paredes, o que mais pode ter de risco e ainda eu toda pelada entregue ao meu marido.
Disse que confio plenamente nele e faria qualquer coisa. E até pensei comigo. Depois daquela declaração de amor, por que não liberar a minha bundinha para ele? Será que vai doer?
Ele foi até a bolsa e tirou vários tecidos. E disse que ia me vendar. Me assusta um pouco, mas confio nele. E disse que ia amarrar as minhas para trás de mim. Aí a coisa dá medo mesmo. Confiei nele. Tinha que confiar.
O que não imaginava é que fica apavorante demais e qualquer coisa que aconteça, tudo fica exageradamente intenso quando não se enxerga nada. O que poderia ser muito bom ou assustador.
A faixa apertou. O quarto sumiu. Os pulsos foram para trás, o tecido firme, não a ponto de doer — a ponto de eu não poder usar as mãos para pedir espaço. Fiquei sentada na beira da cama, nua, as pernas ainda abertas no lugar onde ele tinha se ajoelhado, e o susto subiu quente pela garganta.
— Vini.
Nenhuma resposta, mas ouvi a TV sendo ligada, o trinco da porta de vidro e de correr da varanda sendo aberta, um ventinho gostoso batendo entre as minhas pernas.
Então ele respondeu. A barba roçou a parte de dentro da minha coxa. As mãos primeiro, como sempre: devagar, inventariando. Joelho. Parte de dentro. Barriga. A curva do seio que o elevador já tinha solto. A ponta da língua veio depois, mínima, um passeio que no escuro virava raio. Pescoço. Colo. Mamilo. A linha da costela. Cada vez que eu puxava o ar, o laço nas costas puxava também.
Sem visão, o corpo dele ficou só com a temperatura e cheiro. Camisa aberta, “o meu” que eu tinha visto um minuto antes agora era só um calor subindo pela minha pele.
A língua desceu e eu gemi baixo, o som maior do que eu pretendia, e tentei fechar as pernas por reflexo. Ele segurou os joelhos e abriu de novo. Não atropelou. Pediu no toque. Eu deixei.
Pensei na bundinha. Pensei na declaração. Pensei em dizer sim antes que o medo voltasse. Não disse. No escuro, a vontade e o receio da dor vieram juntos, iguais à curiosidade debaixo da camisa do Renato: coisa para ter tempo, mesmo amarrada.
Ele beijou mais embaixo. A ponta da língua no lugar certo, sem pressa de entrar com nada. Eu arqueei, os pulsos presos, a boca aberta contra o nada, e o 2024 começou assim — sem eu ver o próprio prazer, confiando no único homem que eu deixava decidir por mim.Sinto algo grudando no meu ventre. Quente, escorregadio, familiar. Entrando aos pouquinhos. Sem enxergar, cada milímetro era o dobro, me perfurando. Quando não se enxerga, a sensação triplica de um jeito delicioso.
Fui sentindo o Vini me enchendo por inteiro, me completando, encaixando o pedaço dele no meio do meu amor, até o rosto chegar no meu ouvido.
Ele pergunta se eu fiquei excitada em ver o corpo do Renato.
Resisti um pouco. Meu marido todo dentro de mim, os pulsos apertados entre o meu corpo e a cama, a venda roubando o jeito de fugir com os olhos. Abri um sorriso pequeno, de vergonha, e acabei dizendo que sim.
Ouvi a risada do Vini. Ele continuou fazendo perguntas enquanto estocava. Não é fácil raciocinar com um pau gostoso empurrando com força. A boca dizia uma coisa. O corpo reagia de outra.
No fim, falei alto, meio brava com a insistência dele, que daria para o Renato. Como se o Vini quisesse ouvir exatamente aquilo.
Ele pergunta como eu daria para ele.
Não sei se ficava chocada. Mas com um pau dentro de mim me furando, era difícil raciocinar e só passava indecência pela cabeça.
Disse que, depois daquele beijo, eu sentaria nele ali no ponto de ônibus mesmo. Sentindo aquele peitoral roçando minhas costas, ele chupando meu pescoço, o pau dele me furando com tudo.
Sabe quando você meio que se arrepende um segundo depois que a frase sai da boca? Mesmo sabendo que falei por falar, havia uma pontinha de desejo sim.
A boca que o Vini pede para abrir. Mas antes ele diz uma coisa que faz a minha buceta prender o pau dele.
No ouvido, a barba molhada: o padrinho está no quarto desde que a TV ligou. Olhou o Vini me comendo. Ouviu tudo o que eu disse sobre ele.
O pânico sobe inteiro. Quero arrancar a venda. Aí entendo duas coisas. Estou amarrada justamente para não fazer isso. E o trinco que eu ouvi — aquele clique que eu achei que era a janela se destravando — era a porta da suíte se abrindo para o Renato entrar. Tudo arquitetado pelo Vinicius. Aquele desgraçado.
Ele fala de novo, baixo, o pau parado no fundo de mim:
— Querida, abre a boca e a gente continua. Se você não abrir, terminamos tudo e o Renato vai embora. Você pode escolher.
Ele não empurrou. Ficou parado no fundo de mim, a barba na minha bochecha, esperando o movimento da minha boca. Aquele mesmo homem da ata e da planilha. Só que agora a ata era o meu sim.
Sorrio tímida, o tesão à flor da pele, e começo a abrir devagar. Era o meu jeito de dizer sim sem ter que montar a frase.
De repente a boca encheu. Grosso, quente, a cabeça larga demais para o que eu sabia fazer com a língua. Quis falar o nome dele e só saiu um som molhado.
Estranho. Sem ver nada, reconheço o formato da glande, a grossura familiar tapando a garganta. Tento falar e só sai um som abafado. Os pulsos puxam o tecido. A venda pesa o dobro.
Uma mão começa a puxar a faixa. Logo acima de mim está o meu marido, o pau dele na minha boca, os olhos nos meus. Ele tira a venda justamente para eu ver quem está na minha frente.
Para o meu pavor, quem me come é o Renato e não o meu marido. Ele estava em pé, curvado sobre mim, aquele peitoral liso, largo, me encarando e todo suado.
O Vini pergunta o que eu estou achando daquilo.
Respondi com uma pergunta para ele. Já era pavoroso o padrinho estar me olhando toda nua de pernas abertas e descobrir que era justamente ele me comendo…e bem gostoso, ritmado, me deixando toda molhada?
Ninguém precisa mais explicar nada. Chamei o Renato para se deitar na cama ao meu lado. Me deu um abraço, um beijo longo e postei-me por cima dele e sentei de novo, agora sentindo o “irmão” do meu marido entrar inteiro, o peito largo sob as minhas palmas, o ponto de ônibus atravessado no meio da suíte.
Quando sentei no Renato, ele soltou o ar contra o meu pescoço. Não era só tesão. Era um susto. Os olhos dele foram até o Vini, um segundo, como quem pede licença ao irmão outra vez. Só então me olhou. Tinha vitória ali. Tinha medo também — o medo de amanhã continuar sendo só o padrinho. Apertei o peito dele com as duas mãos, o mesmo peito da camisa aberta no rooftop, e desci até o fim. Ele fechou os olhos. Eu soube que, para ele, aquilo não era brincadeira de Réveillon.
Chamei o Vini pela cintura e o pus na boca. Chupei com uma fome que me assustou. O gosto dele misturado com o movimento do Renato embaixo — dois homens, uma só vergonha gostosa.
Não sei. Por ser jornalista, o Renato descreve as coisas de um jeito envolvente. Disse que nunca imaginou me ver chupando um pinto com tanta vontade, a centímetros do rosto dele.
Em uma situação comum, eu morreria de vergonha. Depois de tanta bebida, com ele me comendo e eu chupando o meu marido, pedi para falar mais. Queria me sentir usada. Usada por dois homens lindos.
Olha: o Renato é uma delícia mesmo. Estendi a mão para trás e vi que nem tudo estava dentro de mim. Tirei o pau do Vini da boca, olhei para ele e pedi para comer a minha bunda.
O Renato entendeu o recado. Disse que trocava de lugar.
Pus as duas mãos no peito dele para segurar e falei que não. Que queria ele ainda dentro de mim. Que o Vini entrasse atrás. No lugar de onde eu sempre tive medo. Falei baixo, contra o peito do Renato, e me arrependi um segundo — o mesmo segundo de sempre — e mesmo assim repeti.
Não tinham dito que nós três estariamos sempre juntos?
Então eu queria todo mundo junto.
O Renato parou no fundo, as mãos grandes na minha cintura, me segurando quieta. O Vini ficou atrás. Dedo primeiro, molhado, pedindo licença no lugar de onde eu sempre tive medo. A dor antiga acenou. O álcool e o tesão acenaram mais alto. Eu respirei na boca do padrinho e disse, baixo, que era para ir devagar.
A cabeça do Vini encostou. Redonda, quente, impossível. Entrou um milímetro e o mundo inteiro foi para aquele anel. Eu fechei os olhos. Não era venda: era demais. O Renato dentro de mim, parado, grosso, ocupando o lugar que eu já conhecia — e o meu marido tentando caber no lugar que eu nunca tinha liberado.
Pedi para ir devagar.
Ele obedeceu. Mais um pouco. A ardência virou fogo. Meus braços tremeram no peito do Renato. Eu gemi um som que não era prazer puro nem dor pura: era as duas coisas se empurrando. Quando a cabeça passou, o ar voltou de um jeito errado, fundo demais, e eu soube que estava acontecendo. Os dois. Ao mesmo tempo. A primeira vez na vida.
O enchimento não tem comparação. Não é o dobro. É outro órgão. Cada centímetro do Vini atrás fazia o pau do Renato parecer maior na frente, como se um empurrasse o outro por dentro da parede fina que eu nem sabia que existia.
Eu fiquei cheia até a garganta. Cheia até o pensamento. Não dava para raciocinar. Só dava para sentir o pulso dos dois, dessincronizados no começo, se procurando.
O Vini entrou até onde deu. Parou. Beijou minha nuca. Perguntou no toque se eu aguentava. Virou meu rosto às cegas, com a mão que não estava no pescoço, e me olhou de lado. Eu não via bem. Mesmo assim soube que era o Vini conferindo se a menina ainda estava ali. Eu não falei sim. Apertei o peito do Renato e empurrei o quadril um milímetro para trás — o meu jeito de aceitar sem ter que decidir com a boca.
Aí eles começaram a se mover.
Curto. Alternado. Um entrava quando o outro saía quase, e mesmo assim eu sentia os dois o tempo todo. A ardência foi afrouxando, virando uma pressão gostosa e assustadora. Eu gemia e beijava a boca do Renato, ele descrevia tudo para o irmão, dizendo que eu estava tremendo, que eu estava linda, que eu provava dois pintos de uma vez, sendo na bunda pela primeira vez.
Quando os dois acertaram o mesmo ritmo, o corpo desistiu de escolher. A buceta latejava em volta do padrinho. O cu queimava em volta do marido. O 2024 inteiro cabia naquela ponta da cama, eu no meio do trio outra vez — só que agora não era trabalho de faculdade. Era carne. Era o voto. Era eu, usada e escolhendo ser usada, aprendendo na primeira dupla penetração da vida que o espaço que eu sempre pedi às vezes é exatamente o contrário: ficar sem lugar nenhum para fugir.
O Renato desceu a boca até o meu peito e ficou lá. Chupou como quem bebe. A língua larga, quente, girando o mamilo até ele endurecer contra os dentes. Quando o Vini cravou fundo no meu cu, o padrinho mordeu — não para machucar, para desviar a dor. O fogo da bunda subiu pelo peito e virou outro fogo. Ele trocou de seio. Lambeu o suor. Mordeu de novo. Cada dentada puxava um gemido que eu não reconhecia.
Atrás, a mão do Vini fechou no meu pescoço. Devagar, firme, o polegar medindo o ar. O mundo estreitou. Os dois paus ficaram enormes. Eu ouvia o sangue. Ouvia a cama. Ouvia o jornalista gemer contra o meu peito e o meu marido ofegar na nuca. Sem ar demais, o prazer ficou nítido demais: a buceta latejando em volta do Renato, o cu ardendo e sugando o Vini, os mamilos latejando entre dentes.
O orgasmo não chegou. Arrebentou.
Uma onda suja, linda, que começou no fundo do assento e subiu até a boca. Eu travei nos dois, o corpo em arco, os olhos marejados, um som agudo preso na garganta que a mão do Vini ainda apertava. A buceta escorreu. O cu pulsava, aberto e cheio. Os peitos doíam gostoso na boca do outro. Quando ele soltou o pescoço, afrouxou os dedos e beijou a marca que tinha deixado. Baixo, só para mim: “estou aqui.” O resto do orgasmo veio nisso, não no aperto, me deixando mole, molhada, fora de mim.
Ainda tremendo, ainda com eles latejando dentro, eu os empurrei para fora com uma urgência feia. Caí de joelhos no carpete da suíte, o queixo erguido, a boca aberta, o cabelo colado no rosto.
Queria o leite dos dois na língua.
Os dois em pé, vermelhos, brilhando comigo, o centrado e o sem freio, iguais e diferentes como na sala de Comunicações.
Pedi de novo, a voz rouca, desesperada, bonita de tão entregue: que gozassem na minha boca. Que eu queria sentir os dois juntos. O gosto do marido e o gosto do padrinho.O Vini veio primeiro. A mão na minha nuca, o mesmo lugar da venda, dois, três embalos na boca e o gosto salgado, quente, dele, escorrendo no canto do lábio. Eu engoli o que deu. O que não deu ficou no queixo.
O Renato riu baixo, sem graça, a voz falhando — o orador sem discurso. Segurou meu queixo com o polegar e gozou logo depois, mais grosso, cremoso, denso, mais de uma vez, atingindo a língua e o peito. Os dois gostos se misturaram. Eu não soube separar o marido do padrinho. Nem quis.
Fiquei de joelhos até o tremor passar. Só então o Vini me pegou no colo e me pôs na cama. O Renato apagou a luz da suíte. Copacabana continuava clara sozinha.
Desabei na cama com o gosto dos dois ainda na boca. Dormi atravessada no lençol, o corpo latejando no lugar onde eles tinham cabido juntos. Acordei com a luz da sacada e a certeza, nítida, do que eu tinha pedido de joelhos.
Levantei e fiquei na beira da cama, do jeito que cheguei ao mundo. Na sacada, um tempo limpo demais para o que a noite tinha sido. O Vini e o Renato só de short, fumando alguma coisa, conversando animados como se nada tivesse acontecido.
Mas antes precisava fazer xixi. O primeiro passo que dei no carpete fofinho do quarto doeu. Não a alma: o corpo. A bunda latejava com um calor fundo, a boca de baixo estava inchada. No banheiro, a luz fria. Lavei o rosto e escovei o cabelo e os dentes. E me olhando no espelho, eu sorri em silêncio.
Fui até eles com o lençol com o cheiro dos dois, enrolado em mim. O Vini me puxou pelo lençol e me beijou até tirar o fôlego — boca de marido, a barba, o mesmo beijo que segura. Apertou a minha nuca, o mesmo lugar da venda, e perguntou com os olhos se eu estava inteira. Dei uma piscada de sim.
O Renato abriu um sorrisão, me abraçou de lado e beijou a minha cabeça, boca de padrinho, de quase irmão, de homem que já tinha estado inteiro dentro de mim horas antes.
Ele afastou o nariz do meu cabelo e, baixo, só para mim: “eu sei qual é o meu lugar.” Sorriu logo em seguida, daquele jeito que vira tudo piada. Mas a frase ficou.
Falavam da primeira vez dos três. Da sensação horrorosa das pernas peludas se encostando. Da cabeça de um pau tocando a do outro por alguns segundos. Riam daquilo. Garotos. Nunca mudam esses comentários idiotas.
Aí os dois olharam para mim. Disseram que mesmo assim tinha valido a pena. Que me dar aquele prazer era irresistível. Que passariam por isso várias vezes.
Eles riram. Eu também. Por dentro, a menina do canto da mesa tentava caber na mulher que tinha pedido o leite dos dois.
Feliz 2024.

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